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O que é Gaslighting?

Em resumo

GaslightingLevar alguém, repetidas vezes, a duvidar da própria memória ou percepção — insistindo que o que essa pessoa viu não aconteceu, ou que ela está imaginando um problema — até que deixe de confiar no próprio relato dos fatos.

De onde vem a palavra, e onde ela para

O nome vem de uma peça de 1938 e do filme feito a partir dela, em que um marido se empenha em convencer a esposa de que ela está enlouquecendo — diminui as lamparinas a gás e diz que a luz não mudou. A Merriam-Webster escolheu a palavra como a Palavra do Ano de 2022 depois que as consultas ao dicionário subiram 1740% em um único ano, e apontou algo incomum: nenhum acontecimento isolado do noticiário provocou o salto. A palavra simplesmente ficou entre os cinquenta termos mais buscados do dicionário durante todo o ano de 2022. As pessoas não a procuravam por causa de uma notícia. Procuravam porque tinham ouvido a palavra e queriam saber se ela se aplicava a elas.

Essa popularidade é também o problema, porque a palavra escorregou até cobrir qualquer divergência sobre o passado. Não deveria. Duas pessoas se lembram de uma mesma noite de formas diferentes quase sempre; isso é comum e não diz nada sobre nenhuma das duas. O que o termo nomeia é uma repetição com direção — as mesmas negações, apontadas para o mesmo lado, até a confiança de alguém na própria memória se esgotar. Uma discussão em que a outra pessoa insiste que nunca disse aquilo é uma discussão ruim. Um padrão em que você vai deixando de confiar no que lembra é aquilo para que esta palavra foi criada.

Como reconhecer o padrão

  • Coisas de que você se lembra com clareza são descritas como se nunca tivessem acontecido, com calma e com frequência.
  • A sua reação vira o assunto: sensibilidade demais, drama demais, falta de senso de humor.
  • Você começa a pedir desculpas por conversas que não consegue reconstruir, e a ensaiá-las antes.
  • Você relê as mensagens para confirmar a sua própria versão antes de ter coragem de tocar no assunto.

O que fazer

Anote as coisas. Não como prova para uma discussão — discutir o registro é justamente a armadilha — mas para você: esse padrão funciona desgastando o seu próprio relato, e uma anotação feita no mesmo dia é muito difícil de desmontar. Depois conte para uma pessoa de fora da situação. É o isolamento que permite que isso continue, e um amigo que ouve as mesmas três histórias costuma enxergar o formato antes de você.

Demore para colar o rótulo e demore para aceitá-lo. Quem esquece, exagera ou se defende mal não está fazendo isso; chamar um conflito comum assim torna a palavra inútil para quem realmente precisa dela. Mas se você percebeu que começou a duvidar da própria cabeça, essa observação merece ser levada a sério por si só, digam os outros o que disserem — e é um bom motivo para conversar com um profissional em vez de tentar resolver sozinho.

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